Segunda, 19 Abril 2021
O disco
PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

No trabalho musical de Cores do Atlântico aborda-se uma leitura contemporânea da melodia das cantigas integrando as sonoridades galegas, portuguesas, africanas e, especialmente, brasileiras, espaços que partilham o património cultural da lírica galego-portuguesa. Desde os ritmos brasileiros como a ciranda, o samba, o batuque, o baião, o congo, o aboio ou a toada nordestina, Cores do Atlântico integra as sonoridades de três continentes unidos por um património comum: a lírica das cantigas de amigo galego-portuguesas.

Desde o Brasil, a compositora e cantora Socorro Lira reúne voces tradicionais como as das Cirandeiras de Caiana de Crioulos xunto a colaboracións de Margareth Menezes-a Maga e de Cida Moreira. Desde Africa, a guineana Eneida Marta achega a súa cálida voz asociada aos ritmos de Guiné Bissau como o Gumbé, a Morna ou a Singa. João Afonso e Teresa Paiva introducen a expresión portuguesa e a sonoridade da gaiteira do Porto. En Galicia, son as voces de Leilía e Uxía as que recrean as cantigas que noutrora cantaron as mulleres neste territorio de orixe da lírica medieval galego-portuguesa. Os arranjos são do músico brasileiro Jorge Ribbas.

 

Ilustraçao de Anderson Augusto

 

Em palavras de Socorro Lira:

Este disco é uma singela oferenda em memória de todas as mulheres violentamente mortas, física e psicologicamente, desde o Martelo das Bruxas até aos dias atuais. E dedico-o especialmente às que vivem.

Dedico também às pessoas que lutam pelo respeito pelos direitos humanos das mulheres em cada canto da Terra e que nos encorajam a contestar conceitos "intocáveis", motivadas pelo desejo de liberdade e de emancipação, pela força de nossas vozes liberadas e de nossos corpos recuperados. Uma dessas companheiras é Ivone Gebara.

Dedico, ainda, às mulheres de minha vida, pelo bem que me fazem e pelos bons exemplos que recebi. A duas delas em especial: minha mãe Benedita, que cantou pra mim, e minha avó Corina, por ter me alertado: "de amargo já basta a vida", com esta aprendi a querer o doce.

E por fim, mas não por último, aos amigos e parceiros [homens] que nos ajudam a realizar. Com eles fica mais bonito.

 

 
Com o financiamento de:
logos_pie_cores